THIS LONELY CROWD – This Lonely Crowd (2017)

THIS LONELY CROWD
This Lonely Crowd
Tags: Indie Rock, Alternative
sw0174 – 2017 – Sinewave

Download (76 MB)

FAIXAS
01. Florbela Ex-punk
02. Cliodhna’s Wave
03. Vancian Noise
04. Furiosa
05. Go Where People Sleep And See If They Are Safe
06. Mytilda
07. Pirlimpimpim
08. The Penguin Dictionary Of Curious And Interesting Numbers
09. Redibenzed

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RELEASE

Por Alexandre Liblik

Mais alto, sim! mais alto, mais além
Do sonho, onde morar a dor da vida,
Até sair de mim! Ser a Perdida,
A que se não encontra! Aquela a quem
O mundo não conhece por Alguém!

Já vão 7 anos desde o primeiro EP da singular This Lonely Crowd (TLC). A banda, cujo nome remete a um clássico estudo sociológico escrito por David Riesman na década de 50, desde sempre utilizou as referências literárias como fonte — inesgotável — dos seus experimentos. Entre as referências fabulísticas ou literárias do mundo infantil, o grupo iniciava suas atividades com atmosferas dos anos 90, em desfechos que lembravam o melhor do Smashing Pumpkins com os EPs An Endless Moment Everyday All The Time e EPhemeris + Entangled Chaos, ambos de 2010. Em 2011, Some Kind of Pareidolia leva o TLC ao melhor desta primeira fase. Foi quando os conheci num show inesquecível em Curitiba. Barulho pra cacete e uma energia que beirava a raiva. Doppeldanger and Other Delicious Secrets (2012) fecha esse período inicial, mais shoegaze e porrada que nunca.

Com Pervade (2012) as experimentações e as colaborações, notadamente com Cadu Tenório, o TLC alcançava a maturidade. O noise da guitarra flutuava entre o seu protagonismo já consagrado e a paciente construção de camadas de instrumentos, que variavam das sutilezas nas paisagens feéricas até as sombras mais assustadoras e ruidosas já atingidas pelo grupo.

Möbius And The Healing Process (2014), trabalho mais sofisticado do grupo atravessa o inferno astral da banda — o sofrimento é sempre motor das melhores inspirações. É notório que Lygia Clark utilizou a fita de Moebius em seu trabalho Caminhando (1964), na qual convidava os visitantes a construir e manipular a obra, realizada com papel, cola e tesoura. Ao cortar a fita, há a exigência da escolha de um lado, ao final da volta. “Esta noção de escolha é decisiva, o único sentido dessa experiência reside no ato de fazê-la. A obra é o seu ato” (Ricardo Fabbrini). Aqui, as questões existenciais do TLC, mais do que nunca, transparecem na sua música. A vida é o seu ato, o seu devir.

Em Meraki (2015), mais uma vez os integrantes do TLC mudam as suas identidades — a mudança é um frequente sinal de inconformismo, algo extremamente salutar para os artistas. Os vocais somem, mas a relação profunda com a literatura, cada vez mais sofisticada, vai favorecendo a criação de subjetividades únicas a partir de vários petardos, nos quais encontramos até mesmo um certo humor, como em “Sophrosyne”, cujos riffs quase dementes contradizem sarcasticamente a sobriedade evocada pelo título da música.

Ser orgulho, ser águia na subida,
Até chegar a ser, entontecida,
Aquela que sonhou o meu desdém!
Mais alto, sim! Mais alto! A Intangível!
Turris Ebúrnea erguida nos espaços,
A rutilante luz dum impossível!

2017 — Em seu novo disco homônimo (This Lonely Crowd), o TLC se move novamente. Ao abrir o disco com “Florbela Ex-punk”, uma das melhores canções já escritas pela banda, o TLC aponta para novos caminhos (Por que não usar o português? Como trabalhar com a maldita última flor do Lácio?). A recriação, quase uma homenagem aos versos da poeta protofeminista portuguesa, nos traz a bela surpresa — eis que voltam as vozes e as canções! A literatura aqui não é mais apenas citação, mas sim elemento fundamental que conecta as faixas. Há o bom e velho TLC em “Cliodhna’s Wave” e “Vancian Noise”. Mais à frente, em “Go Where People Sleep and See If They Are Safe” que em seu começo poderia passar por uma colaboração perdida entre Trent Reznor e Billy Corgan, temos um pouco das texturas abordadas em Pervade, porto seguro ao qual o TLC sempre poderá beber e se reabastecer. “Mytilda”, também recitada em português, sugere que o caminho autoral é esse, em que pese as dificuldades envolvidas neste processo. Neste sentido, This Lonely Crowd é um disco de transição. As assimetrias e os saltos surpreendem, ainda mais para um grupo que sempre primou pela coesão estrutural dos seus trabalhos. Mas já que a literatura é o motor destes caras inquietos, deixo aqui uma citação de Guimarães Rosa, que ilustra bem a importância deste salto no vazio do TLC — “Viver é muito perigoso… Porque aprender a viver é que é o viver mesmo… Travessia perigosa, mas é a da vida. Sertão que se alteia e abaixa… O mais difícil não é um ser bom e proceder honesto, dificultoso mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até o rabo da palavra”.

Depois de 7 anos de banda, felizmente o This Lonely Crowd ainda tem muito a dizer.

Mais alto, sim! Mais alto! Onde couber
O mal da vida dentro dos meus braços,
Dos meus divinos braços de Mulher!
Florbela Espanca

FICHA TÉCNICA

Recorded January – October 2016 at GUERRILLA DREAMIN’ STUDIO and NICO’S STUDIO, thru the looking glass of Curitiba – Brazil.

Produced by Trushbeard the King.
Art Direction and Design by Julian “Nightingale” Fisch.
Photography by Rafael “Black Phillip” Worell.

All songs composed and performed by This Lonely Crowd.

Lyrics:
FLORBELA EX-PUNK extracted from Florbela Espanca’s Mais Alto;
CLÍODHNA’S WAVE extracted from Mary Shelley’s words;
VANCIAN NOISE extracted from Maya Angelou’s When You Come;
FURIOSA extracted from Delmira Agustini’s I Live, I Die, I Burn, I Drown;
GO WHERE PEOPLE SLEEP AND SEE IF THEY ARE SAFE extracted from Jean Ingelow’s Mopsa the Fairy;
MYTILDA extracted from Cora Coralina’s Minha Cidade;
PIRLIMPIMPIM is some faerie dust;
THE PENGUIN DICTIONARY OF CURIOUS AND INTERESTING NUMBERS extracted from Oscar Wilde’s Requiescat;
REDIBENZED extracted from Emily Brontë’s Hope.

All copyrights, if there are any, were infringed in the name of our love for these adorable writers.

In memory of Daniel Orta.

Dedicated to our children, the next This Lonely Crowd:
Laura, Catarina, Benício, Arthur and Matheus.

Special Thanks:
The Sinewave crew (Elson, Lippaus) and bands;
Rety, I Kill Kane and Karen Koltrane Radio;
Marco Stecz and Neri da Rosa from Último Volume;
Nathan Bomilcar and Hoping to Collide With;
Régis Garcia and The Sorry Shop;
Jonathan “Esben” Garcia;
Israel “Dapplegrim” and Bela Infanta/Clube Las Vegas;
our brothers from Herod;
Filipe Albuquerque and Duelectrum;
Loomer; ruído/mm;
The Bührer Brothers and Sonora Coisa;
Thiago “Rumpelstiltskin” Becker;
Juliano Siqueira;
Emanuela Siqueira;
all sites and blogs who always support our noise;
all the other bands who have ever played with us;
our beloved friends and fans over the net, around the globe.

SUPPORT FERAL NOISE AND ELDRITCH ROCK!

thislonelycrowd.com
sinewave.com.br

THIS LONELY CROWD
— Hurleburlebutz — Guitars
— Bonijov — Guitars
— Trushbeard the King — Drums
— Rainha Branca — Bass, Voice
— Hamelen — Guitars, Voice

BIOGRAFIA
Formado em 2010 por personagens da literatura fantástica, o quinteto This Lonely Crowd vem criando, tocando e gravando de maneira totalmente independente na cidade de Curitiba (PR). Através do selo paulista e também independente Sinewave, a banda disponibiliza na internet todo o seu catálogo digital de forma gratuita. Se apresentou em diversas edições do Sinewave Festival, promovido pelo selo, e no programa Último Volume da Rádio Curitibana Lumen.FM.

Enraizada na iniciativa faça você mesmo, a This Lonely Crowd acredita em música autoral, gratuita e sincera e conta com o apoio da comunidade musical, amigos, fãs, blogueiros e jornalistas para difundir sua música.

LINKS
— Email: info@thislonelycrowd.com
— Site oficial: thislonelycrowd.com
— Facebook: facebook.com/thislonelycrowd
— Twitter: twitter.com/thislonelycrowd
— Bandcamp: https://thislonelycrowd.bandcamp.com/
— Soundcloud: https://soundcloud.com/thislonelycrowd

DISCOGRAFIA
This Lonely Crowd (2017)
Meraki (álbum, 2015)
Möbius And The Healing Process (álbum, 2014)
Pervade (álbum, 2012)
Doppeldanger And Other Delicious Secrets (coletânea, 2012)
Some Kind of Pareidolia (álbum, 2011)
EPhemeris (EP, 2010)
Entangled Chaos (EP, 2010)
An Endless Moment Everyday All The Time (EP, 2010)

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