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S.O.M.A. – Deus Ex Machina (2011)

Publicado em outubro 13, 2011 em Albums

Album Info

S.O.M.A.
Deus Ex Machina
Genre: Post-Rock
2011 – Sinewave

Download (153 MB)

Listen to “Through A Glass Darkly”:
[audio:http://sinewave.com.br/audio/soma_throughaglassdarkly.mp3]

Track list

01. Dogma
— I. Statements of Faith
— II. Reducto ad Absurdum

02. Moirae
— I. Genesis
— II. Interlude
— III. When Everything Dies

03. Through A Glass Darkly
— I. Winter Light
— II. The Glass
— III. Farewell

04. .G

05. The Myth of Sisyphus
— I. The Absurd
— II. Albert Camus

Release

Conheci esses caras há o quê, uns três anos. Na época, moleques ainda, tinham acabado de entrar na Gray Strawberries (uma das bandas mais subestimadas que já conheci – o catálogo todo deles está por aqui, ouçam lá e me digam). Lembro do Luiz, meu sócio aqui no selo, falando deles. Eram caras que iam aos shows da Gray e resolveram montar uma banda própria (cena é isso). Calhou de entrarem na própria Gray. Quando a banda acabou, oficializaram a S.O.M.A., com essa grafia estranha mesmo (ou é s.o.m.a.? nunca sei). Lançaram três EPs em 2009 (OM, Eros e Thanatos), todos gravados caseiramente, meio que ensaios gravados de jams improvisadas. Fizeram shows aqui e ali, tocaram em dois Sinewave Festivals (São Paulo em 2009, Rio de Janeiro em 2011). Cada um sempre tocando seus projetos paralelos – o Anti (baixo) tem o Este Silêncio, o Elvis (bateria) fazia pedais e acabou entrando pra Hoping To Collide With, e o Lippaus (guitarra) toca com todo mundo (Hoping, Herod Layne, mais uns projetos que aparecem do nada). Todos esses nomes tendo a Sinewave como link em comum. Cena é isso.

Aí tiraram uns meses em 2011 pra gravar um disco novo, esse Deus Ex Machina. A diferença em relação aos EPs é brutal. É um som adulto, complexo, contrastando com os vinte e poucos anos de cada um. A razão é que são caras que ouvem música. Senão vejamos:

“Dogma” começa com um clima espectral de vários efeitos na guitarra de Lippaus, feitos com arco de violino e chave-de-fenda (conheço o moleque e se tem alguém que sabe fazer noise é ele). O crescendo vem com o baixo dedilhado, depois com a bateria pesada e com a guitarra naquele efeito típico do post-rock (tentem em casa: repitam freneticamente uma única corda com muito delay e reverb até resultar em algo próximo de um teclado; é um clichê, mas o efeito é sensacional). “Moirae” começa em um post-rock tradicional (crescendos, tensão), até entrar um trecho estranhíssimo – uma bateria desenfreada com diversos gritos de fundo lembrando algum pesadelo lynchiano. Depois de uma viagem de efeitos, a música volta como “When Everything Dies”, já veterana de shows, para terminar em um delicado trecho ao violão. “Through A Glass Darkly” também começa “normal” até cair em um trecho de gritos atormentados, seguido de um instrumental das trevas, linkado com um belo arranjo de violoncelos e violinos, e fechado em um post-metal lembrando algo próximo ao Neurosis. Tudo em uma única música. É uma complexidade surpreendente para uma banda – de novo – de moleques de vinte anos.

A explicação possível – os três da S.O.M.A. (e toda a Gray Strawberries na verdade) são de uma geração que consome a over-informação 24×7 e devolve timelines vivas retro-alimentadas por RTs. O tal “Deus surgido da máquina” talvez não seja propriamente uma explicação para os desígnios da história, mas toda uma tag-cloud de referências sendo zipadas em um único link. É isso. Basta clicar.

Elson Barbosa


I met these guys like, three years ago. Still in their late teens, they had recently joined Gray Strawberries, one of the most underrated bands I know (their complete catalogue is available on Sinewave, please do take a listen). I remember Luiz, my label mate, talking about them. They were guys that used to go to Gray gigs and decided to form a band themselves (this is what a scene is all about). And then for destiny’s sake, they ended up joining Gray Strawberries. When Gray called it quits, they officially formed S.O.M.A. with this strange writing (or is it s.o.m.a.? I never know). S.O.M.A. released three EPs in 2009 (OM, Eros and Thanatos), all hand-made, sort of rehearsal jams home recorded. They played a few gigs here and there, and joined two Sinewave Festivals line-up (São Paulo in 2009, Rio de Janeiro in 2011). Each member having his own side projects – Anti (bass) has Este Silêncio, Elvis (drums) used to make guitar pedals and ended up joining Hoping To Collide With, and Lippaus (guitars) plays with everybody (Hoping, Herod Layne, several other projects). All these unknown bands having Sinewave as a common ground. This is what a scene is all about.

Then they spared a few months in 2011 to record this album, Deus Ex Machina. There is a brutal difference from the previous EPs. This is adult, complex sound, in contrast with such young ages. The reason for this is that they listen to music. For instance:

“Dogma” begins with a spectral soundscape made by Lippaus’ guitar effects, done with a violin bow and a screwdriver (I know him and if there is anyone who knows how to noise around, it’s him). The crescendo comes with the bass in arpeggio, the drums in growing intensity and the guitars making that typical post-rock effect (try this at home: repeat one single string in a frantic manner with maximum delay and reverb until you reach an effect close to a keyboard sound; it’s a cliché, but what a dearly one). “Moirae” begins as a traditional post-rock tune (crescendos, tension), until a strange part comes in – some disruptive drums with echoing screams remind some Lynchian nightmare. After another soundscape, the song returns as “When Everything Dies”, a live favorite, to finally end in a delicate acoustic part. “Through A Glass Darkly” also begin as a “normal” tune until a creepy part with more screams comes in, followed by a ghostly instrumental set, linked with a beautiful cello and violin arrangement, and ended as a post-metal tune reminding something like Neurosis. All in just one song. It’s an amazing complexity for – I have to mention this again – young musicians in their early twenties.

One possible explanation – the three S.O.M.A. personnel (and all Gray Strawberries for that matter) belong to a generation that consumes over-information in a 24×7 basis, and gives back live timelines retro-fed by “likes” and “RTs”. Maybe the so-called “Machine God” might not properly be the answer for one such final destiny, but instead a tag-cloud of references zipped in one single link. That’s more like it. You might just have to click it.

Elson Barbosa

Band Info

Lucas Lippaus: guitarras
André “Anti” Ross: baixo
Elvis Cantelli: bateria

Links

– Twitter: twitter.com/somapost
– Facebook: facebook.com/pages/soma/184437821603330

Disclaimer

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