FORMAÇÃO
— Franklin Weise: baixo
— Filipe Albuquerque: guitarra, voz

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DUELECTRUM EM UMA MÚSICA

DUELECTRUM EM CINCO MÚSICAS

DISCOGRAFIA
She doesn’t feel the sun (EP, 2014)
A banda mais cagada da cidade (Ao vivo no Estúdio Lumen) (Álbum, 2011)
Chocolate love (Single, 2011)
Tempestadestelar (EP, 2009)
Electrolândia (EP, 2008)
Duelectr1 (EP, 2002)

VIDEOGRAFIA
— “She doesn’t feel the sun” (2014)

CONTATOS PARA SHOWS E IMPRENSA
— Elson Barbosa: (11) 9-9211-4594
— Lucas Lippaus: (11) 9-5132-0916
— sinewave@sinewave.com.br
DUELECTRUM EM TRÊS ATOS

RELEASE

Foi só em abril de 2017, durante os ensaios pro show do Dia da Música em Curitiba, 24 de junho, que eu entendi que “Maverick” tem um apelo mântrico. Porque os acordes se repetem numa melodia monótona, numa música que parece que só tem começo, sem meio e sem final definidos (no EP, ela termina em fade out, enquanto umas sobras de guitarra se estendem um pouco mais e também morrem aos poucos…).

Engraçado só perceber isso 18 anos depois – a música foi feita em 1999, primeiro ano do Duelectrum. E registrada no primeiro EP, Duelectr1, gravado entre 2000 e 2001, lançado em algumas cópias de CD-R no ano seguinte. Na verdade, eu sempre soube que tudo o que a gente gravou (e também o que não gravou) até hoje soa como se não estivesse pronto, como um rascunho, algo a ser finalizado. Mas que não é, e aí sobram farpas, as arestas aparecem, escapa um delay ou reverb além da conta, e quando vai pro ao vivo, o desafio é fazer as farpas e as arestas aparecerem nos lugares corretos (se é que isso é possível) sem os recursos do estúdio.

As coisas do Duelectrum sempre foram caóticas. Pro bem e pro mal. Pro bem porque bandas que fizeram a nossa cabeça ao longo da adolescência sempre penderam pro caos – Velvet Underground, Stooges, Jesus and Mary Chain, Spacemen 3, My Bloody Valentine, Loop, Flying Saucer Attack. Pro mal porque sem saber como controlá-lo, o barulho te engole e cospe fora o bagaço; o que podia (e talvez devesse) ficar lá atrás escondido, como um complemento, salta dos amplicadores com uma evidência brutal. O que resta é uma sombra pálida e ensurdecedora do que foi pensado e (mal) planejado. E a gente sempre pagou por isso. Por preguiça e desorganização, mas de forma diligente: seriedade e guitarras ruidosas no último volume não combinam. Ou como disse alguém uma vez em uma dessas discussões de rede social, “eu tenho banda pra escangalhar”. A gente não escangalhou tanto quanto devia, mas foi suficiente.

A retrospectiva vale, no nosso caso, porque já são 18 anos. Sem sucesso algum, pior que o Joelho de Porco. E apenas quatro EPs e um single. Tudo meio borrado, meio inconclusivo, mas com uma identidade. Mântrica, monótona, simples, barulhenta, tentando te empurrar pro fundo da sala. Que acerta às vezes, em outras não, mas a intenção é essa.

Filipe Albuquerque